Mais de 130 pessoas participaram do XVI Encontro do Fórum Inter-religioso de Saúde

Abertura do fórum com a formação da mesa inter-religiosa

A Ação Social Arquidiocesana, através da Pastoral da Saúde, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), da Igreja Batista de Nazaré e União de Sociedade Espiritualistas, Filosóficas, Científicas e Religiosas (UNISOES), promoveram no último dia (27) o XVI Encontro do Fórum Inter-religioso de Saúde de Salvador. O evento acontece no Centro de Pastoral – Cúria Bom Pastor (Garcia) e tem como tema: “Mobilização Social: um chamado contra a violência da PEC do Congelamento (241)”.

A temática busca refletir sobre a Emenda Constitucional (PEC 241), que cria um teto para os gastos públicos na saúde por 20 anos, significando o sucateamento do SUS, a privatização do sistema de saúde e a piora das condições de vida da população brasileira.

Thiago Correia, fala sobre a importância do debate

O coordenador da equipe de articulação da ASA, Thiago Correia, trouxe em sua fala reflexões sobre a importância do debate que, alcança dezesseis edições e que busca não se calar diante das injustiças sociais. ” Não podemos nos conformar com as injustiças no mundo, e injustiças de todas as ordens. A atual conjuntura cultiva uma perspectiva que nos violenta dia a dia. E é por isso que estamos aqui, nesse espaço, debatendo, nos apropriando de conhecimentos que não permitirá fecharmos os olhos e nos conformar, mas, lutar e ser esperança”, disse.

Na abertura do evento contamos com uma benção inter-religiosa com representantes de diversas entidades, entre elas: Batista, Católica, Matriz Africana e Universalista.

Almir diz que é importante não se calar

Almir Santos Menezes, representante das religiões de matrizes africanas, Ogam Alê Axé Omin Oké e coordenador do Centro Arquidiocesano de Articulação (CAAPA) reforçou que a comunidade negra precisa cada vez mais se mobilizar e abraçar espaços como o fórum. “Será que vão continuar calando a nossa voz? É duro vivenciar a realidade do preconceito, da exclusão, da discriminação racial e de tantas desigualdades gritantes aos nossos olhos”, clama.

Em continuidade as falas, Ana Santos, presidente da UNISOIS e coordenadora da Casa das Religiões Unidas, conclamou a todos e todas unir-se em prol da mudança em nosso país em todas as demandas sociais, e em especial, ao cuidado com a casa comum. ” Precisamos entender o planeta como a nossa casa comum e aprimorar as nossas relações com a natureza. Precisamos promover a Cultura de Paz como um caminho de desenvolvimento da humanidade”, conclui.

Dra. Dalva reforça que precisamos dizer sim a justiça

Dra. Dalva de Andrade Monteiro, coordenadora de Educação Cristã da Igreja Batista de Nazaré, revela a sua alegria em perceber o quanto cada um, cada uma, presente nesse espaço entende o seu compromisso com a justiça e as bem-aventuranças proclamadas por Jesus. ” A  concentração de renda e a miséria não faz parte do plano do criador. Estamos há poucos dias das eleições, e é nesse momento que a nossa consciência social e humana precisa se revelar. Precisamos dizer sim a justiça e não as injustiças, a violência e a exclusão”, enfatiza.

Padre Rosalvo reflete que primeiro chamado é pela vida

Em concordância as falas, padre Rosalvo dos Humildes Júnior, Paróquia São Lucas Evangelista e assistente eclesiástico da Pastoral de Comunicação da Arquidiocese de Salvador, nos pergunta qual o chamado que Deus nos faz. Para ele, o primeiro chamado é pela vida, que deve ser aproveitada a favor da justiça, da fraternidade e do bem comum. ” É preciso dá continuidade a nossa missão fraterna. Não podemos descansar nem se omitir, fechar os olhos para os nossos irmãos e irmãs que precisam de nós. Nosso coração precisa morrer sedento, desejoso de que a justiça aconteça a cada tempo”, finaliza.

Padre André afirma que todo o sentido da vida deve estar em olhar para o povo

Em conclusão as falas da mesa inter-religiosa, padre André Setuin, fundador do fórum inter-religioso realiza uma retrospectiva sobre a concepção do encontro. Afirma que todo o sentido da vida deve estar em olhar para o povo, para os pobres, para o cuidado com a dignidade de quem sofre, de quem é violentado pela exclusão devastadora, e que tem a cada tempo, uma saúde cada vez pior. ” Estamos vivendo um mundo do egoísmo. Só os poucos são privilégiados, só uma minoria tem direitos e nós não vamos fazer nada? Ficaremos parados e deixaremos os nossos irmãos e irmãs morrerem no descaso como vemos nos corredores dos hospitais? Essa PEC é uma violência, é a condenação de morte para milhares de brasileiros”, conclui.

 

Os assessores enfatizam o quanto a PEC do teto dos gatos é perversa com o povo

Após a abertura, iniciada às 9h, continuidade do evento com duas palestras visando auxiliar a discussão na temática. A mesa temática I , tratou da PEC (241) da morte: A Saúde, Educação e Previdência Social em Luto – o que isso nos afeta?  Para assessorar Uallace Moreira, Doutor em Desenvolvimento Econômico, Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Uallace realizou um panorama sobre os impactos reais provocados pela PEC, alertando os presentes sobre a medida irresponsável que condena milhares de brasileiros, pois, todos serão impactados. “O País renuncia ao seu futuro ao sacrificar a saúde e a educação no ajuste fiscal, do ponto de vista dos gastos públicos. É preciso saber que há outros caminhos para revisar as contas, o problema, é que temos uma estrutura tributária no Brasil que penaliza os trabalhadores assalariados e a classe média, enquanto os ricos permanecem com os seus privilégios intocados”, afirma.

A palestrante Larissa Barros, Doutoranda em Saúde Pública, Mestre em Saúde Comunitária e Bacharel em Serviço Social falou sobre a importância desses espaços de discussão visando analisar a conjuntura e potencializar uma organização política, democrática e social. Em sua palestra, discorreu sobre a PEC e os impactos reais na vida da população nas áreas da saúde, da educação e previdência social. ” A cultura na perspectiva do ódio e da violência é assustadora. É por esse motivo que precisamos cada vez mais nos organizar, radicalizar a luta. Vivemos em um abismo social que destaca o sistema capitalista como a causa das desigualdades sociais. Um sistema que não se preocupa com as politicas sociais, com a educação, com a saúde, com a natureza. É um sistema perverso, que favorece a injustiça, a miséria, a exploração. É validado por um governo burguês, golpista, que inflama o ódio, o racismo, facismo, entre outros”, argumenta.

A programação da tarde contempla a realização de oficinas temáticas de saúde, educação, segurança e previdência social, que conta com diferentes assessores. Para encerrar o Fórum será realizada a “Vigília pela vida do Povo”, às 16h, que traz como lema: ” SEU VOTO VALE? ENTÃO VOTE CERTO!#NenhumDireitoaMenos”. A vigília se concretizará com uma caminhada em direção até a Praça da Piedade. A concentração acontece em frente a Capela da Sagrada Família (Cúria/Garcia).

 

Sobre a vigília ecumênica pela vida do povo:

A vigília, que alcança a segunda edição se constitui em um grande ato a favor da democracia. Nesta edição o tema central são as eleições 2018, considerando a fragilidade da democracia brasileira.

A Vigília abraça a Campanha SEU VOTO VALE? ENTÃO, VOTE CERTO! #NenhumDireitoaMenos. 

O objetivo é incentivar eleitores e eleitoras a refletirem sobre o papel de cada pessoa e do voto na transformação social e a VOTAREM CERTO em CANDIDATOS E CANDIDATAS comprometidos com a JUSTIÇA SOCIAL, a PAZ, a democracia e a garantia dos direitos nas ELEIÇÕES EM 2018.

 

 

 

 

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