(71) 4009-6671 comunicacao@asasalvador.org.br

Um Brasil para todas e para todos

Por Frei Luciano Bernardi

O alcance de meus conhecimentos e diagnósticos sobre a conjuntura  que nos tocou em sorte vivenciar, nesta metade de 2018, apesar do esforço de me informar e aprofundar, fica quase sempre só no primeiro degrau que é o das impressões. Partilho com os leitores uma preocupação e uma perspectiva.

No atual momento, representa uma novidade, o fato de que, apareceu no principal blog da esquerda, gerenciado pelo PT, Brasil 24/7, um texto, admitido, com seu autor a colaborar neste blog alternativo. Nesta hora de “não poder”, alguns setores das esquerdas se esforçam para superar certa dose de preconceito irônico, em relação aos setores chamados igrejeiros. Hoje, estes setores igrejeiros, nos quais me incluo, como seguidores da espiritualidade bíblica da libertação, estão “se contando” com certa preocupação na quantidade e na qualidade. Aos estímulos evangelicamente proféticos de papa Francisco não são muitos os que se levantam, com presteza e entusiasmo, para serem “igreja em saída”, concretamente; com o investimento de pessoas e meios, na retomada da inserção nas bases, dialogando com todos os setores populares, mesmo os que não frequentam departamentos eclesiásticos, todos violentamente obrigados a retroceder na marcha de conquista de direitos fundamentais, sempre negados.

Mesmo que não o expressem explicitamente, assistimos ao fato de que, tanto o lado dos setores progressistas das esquerdas, como o lado, ainda muito majoritário e que mais aparece, dos setores das igrejas. Com seus cleros e instituições de vários tipo, não podem mais se esconder de papa Francisco. Indiferença, preconceitos de vários tipo, receios de arriscar e de perder “não sei o que”, não se sustentam mais. Francisco, papa, expressa algo forte e representativo pela capacidade de discernimento ético e pela fidelidade a uma postura coerente que se confronta com o evangelho.

Neste clima, nos meios onde a gente milita, há mais de 40 anos, junto com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), com outros companheiros e companheiras, estamos nos articulando “nas pastorais do campo” e nas outras pastorais chamadas “sociais”. De muitas partes nos vem a demanda de retomar, com vigor, o trabalho de base, na dimensão da fé e da política. Para utilizar um linguajar mais afinado, lembro uma a expressão deste momento, apontada há mais de duas décadas, que, no Brasil de hoje, nos exige uma “igreja em saídas concretas, já”.

Tenho na minha frente um caderno impresso, pequeno de tamanho mas denso de conteúdos, que um nosso companheiro e irmão teólogo (Francisco de Aquino Junior do Ceará) nos brindou. Com o título deste subsidio, formulo um convite: “A teologalidade das resistências e lutas populares”, nos exigem respostas concretas como foram e são, as resposta da Bíblia que sempre consideramos como Palavra de Deus, válida para hoje. Teologalidade aqui é um termo que nos garante que fazer é fundamental e essencial para a autenticidade da nossa fé em Deus, encarnado na história.

Recentemente, um grupo de pastorais sociais e das CEBs da Bahia, participamos, em Fortaleza, CE, de um encontro organizado pelo Movimento Nacional Fé e Política que assumiu se dedicar, por esta mesma motivação, nesta frente ainda por demais  descoberta. Este Movimento Fé e Política está se preparando para celebrar sua idade da maturidade: 30 anos em 2019.

Nas pastorais do campo e nas pastorais das periferias urbanas, já publicamos a proposta de organizarmos, por meio de nossos agentes e de qualquer outra pessoas, interessada a esta missão, encontros com núcleos de pessoas, grupos, comunidades, paróquias, dioceses, congregações religiosas masculinas e femininas, colégios, universidades. Ecumenicamente e com possibilidade de estarmos abertos a grupos externos da sociedade civil ainda que não explicitamente ligados a igrejas ou instituições religiosas. O objetivo que nos unifica seria contribuirmos no reerguimento consciente de nossos sonhos tão abalados nestes últimos anos, de um Brasil novo e diferente.

 

_____________________________________________________________

[1] Frei franciscano OFMConv do Serviço Inter franciscano de Justiça, Paz e Integridade da Criação. (SINFRAJUPE), membro da CPT BA – Comissão Pastoral da Terra – Bahia.

Leave a Reply