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Cinco anos do Papa Francisco

Por Pe Miguel Ramon

Acabamos de celebrar no mês de março o quinto aniversário da eleição e da entronização do Papa Francisco no trono papal, nos dias 13 e 19 respectivamente.  Aqui em Salvador não soube de celebrações que chamassem a atenção por esse fato tão importante para a Igreja e sua presença no mundo pós-moderno. Para quem conhecia os ventos novos, que desde o Concílio Vaticano II, começaram a abrir as portas e as janelas de uma instituição milenar presa em si mesma, na defesa diante de uma sociedade em plena mudança, a escolha do Papa, vindo da periferia da América Latina, foi uma grande surpresa do Espírito, que, em tese, poderia reanimar as esperanças de um novo impulso de renovação.

Os primeiros gestos e atitudes do novo pontífice revelaram uma humanidade e uma simplicidade, que logo conquistaram o coração de milhares de pessoas, inclusive adeptos de outras religiões e não crentes.

Fica gravada na minha memória a imagem do Papa recém-eleito, aparecendo no balcão da Igreja de São Pedro no Vaticano, com um sorriso largo nos lábios, falando um italiano fluente e se dirigindo à multidão com palavras quase cotidianas e de facílima compreensão. Logo se apresentou como o bispo de Roma, eleito pelos cardeais para governar esta diocese e em consequência disto se tornando princípio de unidade para toda a Igreja Católica. Antes de dar sua primeira benção inclinou a cabeça e pediu a bênção de todos aqueles que a partir deste momento ia pastorear. Este Papa começou seu ministério de forma nunca vista antes. Era um primeiro sinal que novos tempos estavam chegando.

Nos dias e semanas seguintes multiplicaram-se os sinais: O Papa foi pagar pessoalmente a conta da hospedagem no hotel onde tinha ficado; voltou de ônibus com os demais cardeais para a Casa Santa Marta, onde todos os participantes ao Conclave para a eleição do novo Papa tinham se hospedado; disse que por motivos psicológicos ia ficar morando lá, deixando os aposentos no Vaticano só para trabalhar. Na sua primeira visita oficial ao presidente da Itália deslocou-se em um carro popular, bem menor de todos os carros oficiais que o acompanharam.

Não é possível relatar aqui tantos outras atitudes e gestos de Papa Francisco nos cinco anos que ele está à frente da Igreja, na Praça de São Pedro, no atendimento às pessoas na sua residência, nas visitas que fez a penitenciárias e hospitais, nos países que ele visitou, nos telefonemas e nas cartas que escreveu a pessoas sofridas.

Quero tomar como ponto de referência para entender melhor o significado deste papado a sua primeira visita pastoral fora do Vaticano à ilha de Lampedusa, no sul da Itália, onde chegam milhares de refugiados, atravessando em barcos precários o Mar Mediterrâneo.

Esta visita em si só já contém vários grandes temas do pastoreio do Papa Francisco:  uma Igreja em saída, ao encontro dos pobres e excluídos, sem medo de tocar na carne sofrida de Cristo; uma profissão de fé centralizada na misericórdia; a vivência de uma espiritualidade encarnada na realidade. É um gesto profético que apela a todos para sair da indiferença diante da dor e da miséria do outro. Bem oportunamente o Papa se perguntou naquela ocasião se nos tornássemos insensíveis aos gritos por socorro e tivéssemos perdido a capacidade de chorar. É uma pergunta muitas vezes repetida por ele em outras oportunidades.

Não é por acaso que estes temas são desenvolvidos na Exortação Apostólica A alegria do Evangelho, especialmente no Capítulo IV: A dimensão social da evangelização e na Encíclica Louvado Seja.

Teremos oportunidade de escrever a respeito em futuras contribuições.

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